Entrevista exclusiva – Lucas Matheus Alves – Copy

Em reunião

Nesta entrevista, vamos conhecer Lucas Matheus, um jovem empreendedor promissor que transformou curiosidade em propósito e ideias em impacto. De uma infância rodeada pelo espírito empreendedor da família à criação de uma plataforma cultural que conecta pessoas de todo o brasil ao que realmente importa, Lucas trilhou um caminho marcado pela inovação, resiliência e visão de futuro. Com passagens por startups, experiências internacionais e uma atuação ativa em pesquisa e segurança da informação, ele mostra como tecnologia e humanidade podem caminhar juntas para transformar realidades.



Como foi sua infância e formação? De que forma esses momentos de vida influenciaram quem você se tornou?

Quando eu era pequeno, meu maior sonho era ser cientista e impactar o mundo de alguma forma. Cresci em uma família de empreendedores: meu avô, que era do Exército, investiu no ramo de logística e distribuição, enquanto meu pai seguiu pelo caminho do empreendedorismo no setor de turismo. Desde cedo, esse ambiente me inspirou a buscar meu próprio caminho.

Meus pais sempre se esforçavam para me dar o melhor. Eles me ensinaram valores fundamentais como respeito e educação, e me incentivaram a ser curioso, pensar além do óbvio e, acima de tudo, a respeitar as pessoas, independente de qualquer classificação que a sociedade possa atribuir a elas.

Mesmo nunca tendo sido o aluno com as melhores notas, eu gostava muito de criar coisas que pudessem impactar a vida das pessoas. Sempre preferi pensar fora da caixa, inventar histórias e sonhar alto — por exemplo, eu queria ter minha própria emissora de TV. Eu fazia tudo isso acontecer na minha cabeça: escolhia o nome dos programas, quem seriam os apresentadores, os conteúdos… Coisas meio malucas, mas que mostravam minha vontade de construir algo grande e inovador.

Aos 15 anos, mesmo sendo jovem, eu não me intimidava em participar de reuniões, conversar com pessoas mais experientes e tentar fechar parcerias.

Aprendi a programar com recursos limitados para a época — meu computador era simples, mas isso só aguçava minha criatividade e vontade de resolver problemas. A cultura hacker, que conheci nessa fase, me ensinou a olhar o mundo com um espírito de desafio e inovação. Livros como Cartas para um Cientista e o Manifesto Hacker abriram minha mente para possibilidades que eu nem imaginava.

Se fez faculdade, como foi essa fase da sua vida? Quais aprendizados te marcaram nesse período?

A faculdade foi uma fase cheia de desafios, descobertas e muitas oportunidades para colocar a mão na massa. Foi lá que entrei de vez no mundo da pesquisa e inovação, num ambiente que parecia estar sempre um passo à frente do tempo — enquanto o mundo só começava a falar de inteligência artificial, a gente já estava testando e aplicando várias coisas na prática.

Sempre gostei de criar coisas para ajudar o pessoal da universidade. Na pandemia, por exemplo, desenvolvi um site para acompanhar os casos de Covid por bairro, que acabou tendo bastante usuários e ajudou muita gente. Também participei de intercâmbios culturais, como o Seeds for the Future, que me permitiram conhecer pessoas e tecnologias de outros países, ampliando muito minha visão.

Além disso, me envolvi com tecnologia de drones, 5G e outras áreas emergentes. E, apesar do meu curso ser focado em sistemas e engenharia, sempre busquei aprender matérias de psicologia e negócios, porque acredito que entender essas áreas complementa demais a formação técnica.

Foi na universidade também que desenvolvi um projeto que hoje virou minha empresa, junto com um amigo. O que começou como uma ideia meio boba acabou evoluindo para uma plataforma onde as pessoas podem descobrir novos conteúdos. O ambiente universitário foi fundamental para validar essa ideia: tivemos a chance de participar de eventos, contar com o apoio de professores e mentores que nos orientaram até o projeto se consolidar.

Como começou sua trajetória profissional? Houve algum momento ou inspiração que te guiou para o caminho que escolheu?

Minha trajetória começou na universidade, como estagiário na área de redes de computadores. Paralelamente, me aventurava no mundo da segurança da informação, reportando falhas para grandes empresas como Itaú, TikTok e outras. Tudo isso, na verdade, nasceu muito mais de uma curiosidade insana e de querer entender como as coisas funcionavam do que de um plano de carreira bem definido.

Depois, passei por startups dos mais diferentes setores — eventos, tecnologia, supercomputação… e cada uma dessas experiências me ensinou algo fundamental. No começo, meu foco era puramente técnico. Minha cabeça só pensava em código, sistemas, performance, segurança. Eu realmente acreditava que, se eu fosse tecnicamente muito bom, isso seria o suficiente. Só que não é.

Com o tempo, percebi que o mundo não é um compilador esperando um código perfeito. Aprendi — muitas vezes da maneira difícil — que negócios são muito mais sobre pessoas do que sobre tecnologia. Por melhor que seja seu código, ele não se vende sozinho (ainda, pelo menos). Se você não entende de relações humanas, comunicação, empatia, colaboração… você simplesmente não sai do lugar.

Acho que uma das maiores lições da minha vida foi perceber que existe um mundo além do meu quarto, além do terminal de comando, além do IDE. Que saber lidar com pessoas, ouvir, negociar, criar junto, é tão — ou mais — importante do que saber programar.

Um ponto que me marcou muito foi quando decidi ajudar meu pai, que estava construindo uma empresa no ramo de turismo. Ver ele, com muito esforço, literalmente construir algo do zero, pensando não só nele, mas na família e nos colaboradores, me fez entender o real significado de empreender. Desenvolvi um sistema que ajudou a agilizar a operação dele e foi isso que permitiu que ele fechasse um contrato com um hotel de luxo na região. Ali caiu minha ficha: não é só sobre tecnologia. É sobre gerar impacto real.

Qual o momento da sua vida, ou fato, você entende que fez a diferença em você se tornar quem você é hoje? Como isso fez você chegar/alcançar onde está?

Em 2022, vivi uma situação que virou uma chave na minha cabeça. Descobri uma vulnerabilidade crítica em um grande banco. Era algo sério. Se aquela falha fosse explorada ou exposta — seja na mídia, seja no mercado — os prejuízos poderiam facilmente chegar à casa dos bilhões.

Naquele momento, parei e pensei: “O que eu faço com isso?”
Eu poderia divulgar, ganhar prestígio no mundo underground, ser celebrado nos bastidores do hacking. Poderia até vender essa informação — e, infelizmente, muita gente faz isso. Mas eu sabia que o certo era reportar. E foi exatamente isso que eu fiz.

Foi nesse episódio que aquela velha frase do Tio Ben fez todo sentido pra mim, de uma maneira muito prática e real:


“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.”

Ali eu percebi que hackear não é só sobre código ou sistemas. Você pode hackear a vida, o mercado, o status quo. E uma empresa, na essência, é isso: uma forma de reconfigurar o mundo, redesenhar as regras, e criar algo que beneficie as pessoas, a comunidade, a sociedade.

Quais foram os maiores desafios que você enfrentou na carreira — e como eles moldaram sua visão de mundo e de liderança?

Houve um período em que meu projeto começou a crescer muito rápido — e, sinceramente, eu não me sentia 100% preparado. E foi exatamente aí que eu aprendi uma das maiores lições da minha vida: ninguém nunca está totalmente preparado. E, se você esperar estar, provavelmente vai perder grandes oportunidades.

Percebi que, no mundo real, ninguém vai te dizer quando é a hora certa de começar algo. Nenhum chefe meu, em nenhuma empresa que passei, nunca virou pra mim e disse: “agora você está pronto pra empreender”. Esse momento simplesmente não existe. Você precisa se jogar, acreditar no seu próprio potencial e entender que construir algo grandioso vem junto com um certo grau de incerteza — e tudo bem.

O maior desafio que enfrentei na minha carreira, sem dúvida, foi quando precisei cortar laços com pessoas que já não se enxergavam mais dentro do projeto que eu estava construindo. E, cara, isso dói. Especialmente quando você começa algo dentro da universidade, cercado de amigos, pessoas que viveram aquela fase inicial, que acreditaram junto com você no começo.

Só que, com o tempo, percebi que o projeto tinha deixado de ser só um experimento de faculdade. Deixou de ser um “trabalho entre amigos” pra se tornar uma empresa de verdade, com valores, responsabilidade, impacto real. E isso exige mudança.

Existe algum momento decisivo na sua vida pessoal ou profissional?

Acho que os momentos decisivos da vida nunca chegam de forma isolada — eles costumam vir em pacote, misturando vida pessoal e profissional de um jeito que a gente não consegue separar muito bem.

Na época, eu estava trabalhando como consultor de dados em uma empresa de supercomputação. Era um baita desafio, um ambiente de alta performance, e eu estava lá justamente porque queria aprender, sair da minha zona de conforto e entender como era trabalhar com um nível tão alto de tecnologia. E, pra deixar claro, a empresa era incrível. Tinha absolutamente tudo pra funcionar de forma remota, mas o dono fazia questão do presencial. Na época, achei meio teimosia. Hoje… até entendo um pouco o lado dele.

Paralelo a isso, eu estava há meses conversando com uma garota. A gente se falava muito, quase todo dia, mas só por telefone. E, claro, chega uma hora que a gente percebe que precisa sair da teoria e ir pra prática — a vida não acontece só pela tela. Combinamos que ela ia primeiro até onde eu estava, e depois seria minha vez de viajar até ela.

Só que tinha um detalhe: o trabalho me consumia completamente. Ao mesmo tempo, eu já estava como cofundador de outro projeto, tocando a empresa que construí junto com meu pai, que já começava a ganhar corpo e tração. Então, olhando de fora, fazia todo o sentido eu seguir no emprego de supercomputação. O salário era ótimo, o desafio era enorme e, honestamente, eu poderia simplesmente seguir aquele caminho tradicional e previsível.

Mas aí veio aquele clique interno. E não, não foi só por causa da garota, nem só pelo outro projeto. Foi quando caiu a ficha de que liberdade é inegociável.

Percebi que, no fim das contas, não adianta estar no emprego dos sonhos, com o salário dos sonhos, se você não está vivendo a vida que faz sentido pra você. E foi aí que decidi me demitir. Simples assim. Pra muita gente pode ter parecido loucura, mas pra mim foi libertador.

Foi nesse momento que eu entendi, de verdade, que a vida não é uma linha reta. Ela é feita de escolhas que, às vezes, parecem irracionais no curto prazo, mas fazem total sentido no longo. E que, mais importante do que construir coisas incríveis no trabalho, é construir uma vida que você realmente queira viver — com autonomia, com tempo pra quem importa e com espaço pra fazer o que você acredita.

Ao longo da sua jornada, que papel a educação desempenhou na sua transformação pessoal e profissional?

Desde criança, a educação para mim sempre foi muito mais do que só aprender na escola — foi também um processo de buscar respostas para aquelas dúvidas que todo mundo tem sobre a vida e o mundo. Eu tive a sorte de contar com um mentor na área da filosofia ainda quando era pequeno, alguém que me ajudou a navegar esse universo de perguntas que pareciam não ter respostas na época.

Ele me apresentou pensadores como Aristóteles e Kant, e até me deu um livro de filosofia para eu começar a explorar. Naquele momento, eu tinha muitas dúvidas sobre o mundo, sobre o que era certo ou errado, sobre sentido da vida… E embora nenhuma dessas perguntas tenha sido respondida totalmente naquela fase, essa experiência me marcou profundamente.

O que te motivou a se tornar associado da PUC angels e apoiar causas como educação, empreendedorismo, inovação e combate à fome?

O que me motivou a me tornar associado da PUC Angels foi a crença de que o verdadeiro impacto acontece quando unimos forças para transformar a sociedade. Educação, empreendedorismo e inovação são as bases para criar oportunidades reais de mudança — e é justamente nisso que a PUC Angels atua.

Além disso, apoiar causas como o combate à fome me faz sentir que estou contribuindo para algo maior, que vai além do mundo dos negócios. Acredito que, ao ajudar a construir um ambiente onde as pessoas têm acesso a conhecimento, recursos e esperança, a gente planta as sementes para um futuro mais justo e próspero para todos.

Quais valores pessoais que mais se conectam com o propósito da PUC angels?

Os valores que mais se conectam com o propósito da PUC Angels para mim são o respeito, a colaboração e a responsabilidade social. Respeito porque acredito que toda transformação começa quando tratamos as pessoas com dignidade, sem julgamentos. Colaboração porque sei que os maiores resultados vêm da união de esforços, de diferentes ideias e experiências. E responsabilidade social porque sentir que meu trabalho e minhas ações podem contribuir para um mundo mais justo me dá um sentido profundo de propósito. Esses valores guiam minhas escolhas e fazem com que eu me identifique totalmente com a missão da PUC Angels de promover educação, inovação e impacto social.

Que conselho você gostaria de deixar para jovens empreendedores e estudantes que estão iniciando sua trajetória?

Meu conselho para quem está começando é simples: arrisquem. Uma vida sem riscos não vale a pena ser vivida. Aquele projeto que você acha bobagem, faça mesmo assim, coloque em prática e compartilhe. Pense fora da caixa e execute suas ideias. Quando a gente cria algo inovador, nem todo mundo vai entender na hora, e tudo bem, não culpe ninguém por isso. Aproveite o processo e se divirta. Empreendedorismo não precisa ser só dificuldade e banho de água fria, tem muita coisa boa em construir algo novo. Acredite em você e no que está criando, mas sem perder a humildade para aprender sempre. Valorize muito as pessoas que te apoiam no início e que sempre acreditaram em você: seja professor, familiar, cachorro, gato, o que for. E claro, não faça nada que possa trazer problemas para você, isso é importante demais.

Para você, qual é o maior impacto que um Associado pode gerar na sociedade? E como pretende traduzir isso na sua atuação dentro da PUC angels?

Para mim, o maior impacto que um Associado pode gerar na sociedade é apoiar e impulsionar iniciativas que realmente fazem a diferença, seja na educação, no empreendedorismo, na inovação ou em causas sociais. É sobre ajudar a transformar ideias em ações concretas que beneficiem pessoas e comunidades, criando um efeito multiplicador de crescimento e mudança positiva.

Dentro da PUC Angels, pretendo traduzir isso atuando de forma ativa e prática — oferecendo não só investimento financeiro, mas também mentorias, conexões estratégicas e suporte para que os projetos tenham condições reais de sucesso e impacto. Quero estar próximo dos empreendedores, entendendo seus desafios, celebrando as conquistas e ajudando a construir um ecossistema mais forte e inclusivo. Afinal, acredito que impactar positivamente é trabalhar junto, de verdade, com visão de longo prazo e responsabilidade social.

Há alguma história, conquista ou lição da sua jornada que gostaria de compartilhar para inspirar outros membros da comunidade e leitores do PUC News?

Teve uma vez na universidade que um professor chegou a dizer que minha plataforma nunca teria usuários, que ninguém iria usar aquilo por vários motivos técnicos e práticos. Foi um daqueles momentos difíceis, sabe? Aquele tipo de frase que poderia facilmente abalar a confiança da gente. Mas, em vez de desistir ou acreditar naquilo, usei aquilo como combustível.

No final, a plataforma acabou tendo muito mais usuários do que o esperado, superando todas as expectativas. Essa experiência me ensinou algo fundamental: nunca deixe que as dúvidas ou críticas dos outros definam o que você pode ou não fazer. As pessoas podem duvidar, podem apontar dificuldades, mas o que importa é acreditar na sua visão e colocar a mão na massa.


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