O Combo da Empregabilidade: IA, Maturidade Emocional e o Fim da Fronteira entre o Networking Digital e Presencial

CONSELHEIROS E LÍDERES

Em um cenário onde 78% das empresas relatam dificuldade em encontrar profissionais com a qualificação adequada, a busca por recolocação e ascensão na carreira exige mais do que apenas competências técnicas. Em entrevista exclusiva para o PUC News, Larissa Fraga, Gerente de Negócios na Robert Half, detalhou como a Inteligência Artificial (IA) está redefinindo os processos de seleção e por que a “moeda de ouro” do mercado atual é a inteligência emocional aplicada à estratégia. As percepções de Fraga reforçam o compromisso da PUC angels em fomentar o empreendedorismo e a educação de qualidade, conectando o desenvolvimento humano às demandas reais das organizações.

IA nos Processos de Seleção: De “Vencer o Algoritmo” à Humanidade Estratégica

A IA tornou-se um divisor de águas ao automatizar etapas operacionais e conferir eficiência à triagem de currículos. No entanto, Fraga ressalta que o avanço tecnológico não elimina o fator humano, mas o torna ainda mais estratégico. Para os candidatos, o desafio não é apenas “vencer o sistema”, mas entender sua lógica.

  • Adaptação: É necessário alinhar o currículo às exigências técnicas e palavras-chave do cargo.
  • Diferencial: O sucesso reside em investir em competências que a IA não substitui facilmente, como o uso da tecnologia para orientar decisões estratégicas, negociação e resiliência sob pressão.
  • Autenticidade: A tecnologia deve ser vista como uma vantagem competitiva para potencializar decisões humanas qualificadas, e não como um exercício mecânico.

Educação Continuada e o Impacto do “Aprender Fazendo”

A urgência por reskilling (requalificação) colocou os cursos de curta duração em destaque, especialmente quando focam em habilidades comportamentais e cognitivas. Contudo, a entrevista revela que o impacto real na velocidade da recolocação ocorre quando há aplicação inteligente do conhecimento. Participar de projetos e tarefas práticas — o conceito de “aprender fazendo” — é apontado como a forma mais eficaz de tornar o ganho de empregabilidade concreto e visível para o mercado.

Networking Híbrido: A Força das Comunidades Específicas

Para Larissa Fraga, não existe oposição entre o networking digital e o presencial, mas sim uma integração estratégica. Enquanto plataformas como o LinkedIn e comunidades como a PUC angels funcionam como aceleradores de conexão, o fator decisivo para acessar as “vagas ocultas” (não divulgadas) continua sendo a profundidade das relações.

O networking de qualidade é definido pela consistência de valor e pela construção de confiança ao longo do tempo, e não apenas pela presença física. Comunidades qualificadas encurtam caminhos e tornam as relações menos transacionais e mais consistentes.

A Nova “Moeda de Ouro” e o Combate ao Etarismo

Questionada sobre a competência comportamental mais valorizada hoje, Fraga é enfática: a Inteligência Emocional aplicada à ambiguidade. Em um ambiente onde a tecnologia automatiza rotinas, a capacidade de gerenciar aspectos emocionais próprios e das equipes em cenários complexos tornou-se o principal motor de diferenciação para lideranças.

Essa maturidade é um dos pilares para combater o etarismo, uma pauta urgente visto que 66% dos profissionais desempregados ainda enxergam o preconceito etário como barreira. A solução para o mercado reside na intencionalidade:

  • Revisão de Processos: Eliminar vieses no RH e priorizar critérios objetivos de competência.
  • Modelos Flexíveis: Implementar vagas afirmativas para profissionais 50+ e contratações por projetos, que valorizam a experiência como um ativo de baixo risco e alto retorno.

Cultura e Saúde Mental como Estratégias de Retenção

A entrevista também abordou a responsabilidade social das empresas em processos de desligamento. Uma demissão humanizada impacta diretamente o employer branding e a capacidade de atrair talentos no futuro, pois comunica os valores reais da gestão.

Além disso, a saúde mental passou a ser um pilar inegociável. Com o aumento de diagnósticos de burnout e ansiedade, criar ambientes psicologicamente seguros e oferecer apoio durante transições de carreira é uma decisão pragmática: um executivo com suporte emocional adequado performa melhor e toma decisões mais coerentes com o fit cultural da organização.


Este artigo foi baseado na entrevista de Larissa Fraga para a PUC angels, focada em disseminar conhecimento sobre o futuro do trabalho e desenvolvimento de lideranças.

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