
O mercado de telecomunicações está em um ponto de inflexão, onde o crescimento exponencial do consumo de dados exige que as operadoras repensem seu papel, deixando de ser meras fornecedoras de banda e se transformando em facilitadoras ativas de serviços digitais. Em entrevista exclusiva, Ageu Dantas, executivo da Claro responsável por Data Analytics, Mensageria e Open Gateway, mapeou o caminho de crescimento do setor, destacando como a inovação está intrinsecamente ligada à captura de valor na rede.
A visão de Dantas alinha-se aos objetivos da PUC angels de fomentar o empreendedorismo e a inovação ao focar em soluções estratégicas que garantem a viabilidade econômica do setor de infraestrutura tecnológica.
A Rede como Produto, Não Apenas Transporte
A demanda por conectividade segue em ascensão, o que justifica o investimento contínuo em infraestrutura. Contudo, o ponto crucial, segundo Dantas, é que a operadora participe do valor que circula por essa rede.
A solução estratégica para combater a “Comoditização da Conectividade” reside na abertura de capacidades da rede de forma padronizada e fácil de integrar, utilizando modelos como o Open Gateway e a mensageria RCS.
“O caminho já está sendo construído e é abrir capacidades da rede de forma padronizada e fácil de integrar.”
Quando empresas utilizam serviços de verificação de número, localização ou QoS (Qualidade de Serviço) através das APIs (Interfaces de Programação de Aplicações), a rede deixa de ser vista “só como transporte e passa a ser parte do serviço final”.
O Próximo Salto: do B2C para o B2B Estratégico
O setor de telecomunicações alcança o crescimento quando consegue conectar dois mundos: conectividade e serviços digitais. Dantas aponta que o próximo grande salto de inovação não é um produto específico, mas sim a transformação da forma como a rede é usada, tornando-se parte ativa do fluxo digital das empresas em áreas como segurança, autenticação, pagamentos e logística.
A migração para soluções B2B — como IoT (Internet das Coisas) e Cidades Inteligentes — é vista como um bom caminho para novas receitas, mas enfrenta obstáculos. O principal desafio para escalar o IoT não é a tecnologia, que já está madura, mas sim a falta de cultura de digitalização das empresas clientes e a complexidade de implantação e integração de dispositivos e plataformas.
Para o usuário final, a solução para manter a atratividade e a viabilidade do setor é a diversificação de receita. Planos de dados mais robustos, por exemplo, não são justificados apenas pelo Cloud Gaming, mas sim pela percepção de qualidade, estabilidade e baixa latência para aplicações sensíveis, como vídeo ao vivo e trabalho remoto.
Conteúdo e Serviços de Valor Agregado (SVA)
Embora as operadoras atuem como “super-agregadores” de streaming, a margem de lucro real no conteúdo digital surge quando este está integrado à jornada do cliente em uma oferta maior, com cobrança simplificada e benefícios adicionais.
Os Serviços de Valor Agregado (SVA) tradicionais perderam força, dando lugar a serviços digitais que resolvem problemas concretos e têm alta aderência com o consumidor pós-pandemia, como saúde digital, educação, finanças (Fintech) e Inteligência Artificial (IA). A parceria da Claro com a Open AI para ofertas de pacotes com ChatGPT é citada como um exemplo de sucesso.
Sobre a pirataria, o executivo afirma que, além do bloqueio técnico, a estratégia mais eficaz para trazer o usuário para a legalidade é a facilidade: “Quando a experiência legal fica mais simples do que a alternativa, a conversão acontece naturalmente”.
O Papel Central no Futuro da IA
Olhando para o futuro, o papel central das operadoras de telecomunicações no mercado de Inteligência Artificial será de sustentação da infraestrutura. A IA depende de conectividade estável e alto tráfego. Assim, o setor reforça sua importância como o pilar que permite que os modelos de IA funcionem no dia a dia.
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Versão em Espanhol (ES)
CONSEJEROS Y LÍDERES
Telecomunicaciones Más Allá del Transporte: Ageu Dantas Detalla el Salto de Conectividad a Plataforma Inteligente a Través de Open Gateway y B2B
El mercado de las telecomunicaciones se encuentra en un punto de inflexión, donde el crecimiento exponencial del consumo de datos exige que los operadores reconsideren su rol, dejando de ser meros proveedores de ancho de banda para transformarse en facilitadores activos de servicios digitales. En entrevista exclusiva, Ageu Dantas, ejecutivo de Claro a cargo de Data Analytics, Mensajería y Open Gateway, ha trazado el camino de crecimiento del sector, destacando cómo la innovación está intrínsecamente ligada a la captura de valor en la red.
La perspectiva de Dantas se alinea con los objetivos de PUC angels de fomentar el emprendimiento y la innovación, enfocándose en soluciones estratégicas que aseguren la viabilidad económica del sector de infraestructura tecnológica.
La Red como Producto, No Solo Transporte
La demanda de conectividad sigue aumentando, lo que justifica la inversión continua en infraestructura. Sin embargo, el punto crucial, según Dantas, es que el operador también participe en el valor que circula por esa red.
La solución estratégica para combatir la “Comoditización de la Conectividad” reside en abrir las capacidades de la red de forma estandarizada y fácil de integrar, utilizando modelos como Open Gateway y la mensajería RCS.
“El camino ya se está construyendo y es abrir capacidades de la red de forma estandarizada y fácil de integrar.”
Cuando las empresas utilizan servicios de verificación de número, ubicación o QoS (Calidad de Servicio) a través de las APIs (Interfaces de Programación de Aplicaciones), la red deja de ser vista “solo como transporte y pasa a ser parte del servicio final”.
El Próximo Salto: del B2C al B2B Estratégico
El sector de las telecomunicaciones logra crecer cuando consigue conectar dos mundos: conectividad y servicios digitales. Dantas señala que el próximo gran salto de innovación no es un producto específico, sino la transformación de la forma en que se utiliza la red, convirtiéndose en una parte activa del flujo digital de las empresas en áreas como seguridad, autenticación, pagos y logística.
La migración a soluciones B2B —como IoT (Internet de las Cosas) y Ciudades Inteligentes— se considera un buen camino para nuevos ingresos, pero enfrenta obstáculos. El principal desafío para escalar el IoT no es la tecnología, que ya está madura, sino la falta de cultura de digitalización de las empresas clientes y la complejidad de implementación e integración de dispositivos y plataformas.
Para el usuario final, la solución para mantener el atractivo y la viabilidad del sector es la diversificación de ingresos. Los planes de datos más robustos, por ejemplo, no se justifican solo por el Cloud Gaming, sino por la percepción de calidad, estabilidad y baja latencia para aplicaciones sensibles, como video en vivo y trabajo remoto.
Contenido y Servicios de Valor Agregado (SVA)
Aunque los operadores actúan como “súper-agregadores” de streaming, el margen de beneficio real en el contenido digital surge cuando este está integrado en el recorrido del cliente en una oferta más amplia, con cobro simplificado y beneficios adicionales.
Los Servicios de Valor Agregado (SVA) tradicionales han perdido fuerza, dando paso a servicios digitales que resuelven problemas concretos y tienen alta adherencia con el consumidor post-pandemia, como salud digital, educación, finanzas (Fintech) e Inteligencia Artificial (IA). La asociación de Claro con Open AI para ofertas de paquetes con ChatGPT se cita como un ejemplo de éxito.
Sobre la piratería, el ejecutivo afirma que, además del bloqueo técnico, la estrategia más eficaz para atraer al usuario a la legalidad es la facilidad: “Cuando la experiencia legal se vuelve más simple que la alternativa, la conversión ocurre naturalmente”.
El Papel Central en el Futuro de la IA
Mirando hacia el futuro, el papel central de los operadores de telecomunicaciones en el mercado de Inteligencia Artificial será el de sostener la infraestructura. La IA depende de conectividad estable y alto tráfico. De esta manera, el sector refuerza su importancia como el pilar que permite que los modelos de IA funcionen en el día a día.



