Pesquisa revela que mais de 50% das pessoas que convivem com HIV no Brasil já sofreram discriminação

Estudo contou com parceria da PUCRS para o levantamento de dados sobre o estigma em relação às pessoas vivendo com HIV

Recentemente foi lançado o Índice de Estigma 2025 em Relação às Pessoas Vivendo com Aids/HIV. Pela primeira vez, a investigação que atualiza o cenário da discriminação sobre a doença no País, incluiu o impacto dos eventos climáticos extremos no acesso à saúde. A pesquisa foi realizada pelo consórcio de redes de pessoas convivendo com HIV e pela ONG Gestos, com apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre Aids/HIV (UNAIDS) e da PUCRS.  

A Universidade é representada pelo professor Angelo Brandelli, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida e coordenador do Grupo de Pesquisa Preconceito, Vulnerabilidade e Processos Psicossociais (PVPP), da instituição. A PUCRS é a responsável técnica científica do estudo, dando continuidade à sua colaboração desde a primeira edição. 

Os resultados da pesquisa oferecem um panorama sobre as diversas formas de discriminação enfrentadas por esse grupo no Brasil. Segundo os dados, 52,9% das pessoas vivendo com HIV já sofreram alguma forma de estigma ou preconceito por sua condição sorológica

Entre as experiências, cerca de 35% dos entrevistados relataram ter sofrido discriminação por parte de membros da própria família. Outra preocupação destacada foi a comunicação da condição sem consentimento para terceiros, como conhecidos, colegas de trabalho, vizinhos e em redes sociais.  

Impactos do preconceito 

Uma das principais consequências da discriminação em relação ao HIV é o impacto na saúde mental dessa população. Na pesquisa, 29,1% dos participantes apresentaram sintomas de depressão após o diagnóstico e 41,2% relataram sintomas de ansiedade relacionados ao estigma

Os impactos ainda se estendem aos serviços de saúde. 13,1% dos entrevistados afirmaram ter sido tratados de forma discriminatória nos últimos doze meses em atendimento médico. Ainda, 11,5% sofreram tratamento discriminatório em serviços diretamente ligados ao HIV. Além disso, a confidencialidade também é uma aflição, com 46,1% expressando incerteza ou consciência de que seu estado sorológico não é mantido em sigilo

Para o professor Angelo, o estudo reforça que, para além da sorologia, outros marcadores sociais podem intensificar a experiência de discriminação.  

“Populações, como pessoas trans, travestis e profissionais do sexo, continuam apresentando níveis elevados de vulnerabilidade ao estigma”, analisa ele. 

Desafios dos eventos climáticos extremos 

O Índice de Estigma investigou pela primeira vez também o impacto de eventos climáticos extremos no acesso à saúde das pessoas vivendo com HIV. Cerca de 23% relataram dificuldades para acessar medicamentos antirretrovirais devido a esses fenômenos. Do mesmo modo, 82,1% dos afetados pelos eventos ainda não haviam recuperado completamente sua renda familiar, e 20,5% tiveram dificuldade em acessar sua medicação para o HIV. 

Sobre o Índice de Estigma 

O Índice de Estigma, iniciado em 2008, é uma iniciativa conjunta da Rede Global de Pessoas Vivendo com HIV (GNP+), da Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV/AIDS (ICW), da Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF) e do UNAIDS.  

Desde sua criação, o estudo já foi aplicado em mais de 100 países, ultrapassando a marca de cem mil pessoas entrevistadas, sendo uma ferramenta crucial para dar voz às pessoas vivendo com HIV e subsidiar políticas públicas de enfrentamento ao estigma. 

O estudo é fruto de um esforço colaborativo que inclui um consórcio de redes nacionais de pessoas vivendo com HIV – como a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+), o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA) e a Rede Nacional de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV/Aids (RNTTHP) e a Agência Nacional de AIDS (ANAIDS). 

Além do professor Angelo, a PUCRS contou com a participação de uma mestranda do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências Sociais, uma doutoranda do PPG em Psicologia e cinco bolsistas de Iniciação Científica (IC) dos cursos de Psicologia e Medicina na pesquisa.

Fonte: https://portal.pucrs.br/noticias/impacto-social/pesquisa-revela-que-mais-de-50-das-pessoas-que-convivem-com-hiv-no-brasil-ja-sofreram-discriminacao/

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